A maior parte das pessoas faz o
balanço do ano e planos para o próximo no dia 31 de Dezembro . Eu sou diferente. Habitualmente é no dia dos
meus anos e nas vésperas que me costuma bater essa nostalgia.
Gosto de pensar no que foi o ano
que passou. Entretenho-me a pensar nas coisas boas que fiz e que me aconteceram
e nas outras menos boas, também.
Apesar da merda da crise, não me
posso queixar. Há, sem dúvida, quem esteja bem pior do que eu. Afinal de contas
sempre tive saúde, casa, emprego, família (pequena, mas tenho) e amigos
(muitos, felizmente)
No entanto, desde há uns anos,
faltava sempre algo neste balanço. Havia uma sensação de vazio. De qualquer
coisa inacabada ou nem sequer começada... Frustrante. Depois pensava de mim
para mim que não se pode ter tudo. Há sempre algo de que forçosamente temos que
abrir mão.
Ao mesmo tempo, vem essa revolta,
esse inconformismo. Mas qual é o meu mal? Serei assim tão intratável ou
exigente? Será mesmo que só quero o que não tenho? Eu, a eterna insatisfeita.
Vários anos me deparei sempre com
este tipo de questões. Tipo a pedra (mais pedregulho, neste caso) no sapato a
lixar tudo. Por força do habito, lá me ia tentando conformar e auto
convencer-me de que cada um é para o que é e ponto final. Porque, voltando ao
início, as coisas até nem eram assim tão más.
Está agora a fazer um ano e
lembro-me de ter acordado de manhã com a nostalgia e alegria próprias do meu
dia de anos. Já na véspera tinha “passado o ano em revista” e por isso
impunha-se fazer planos para o novo ano
Hélas! No horizonte apenas vi deserto...
a mesma existência intranquila, sem grandes perspetivas. Suspirei e
conformei-me sem me conformar. Fui à minha vida: almoço com a família, jantar
com os amigos, as usual. Pela primeira vez, suponho, não me atrevi a fazer
projetos, a estabelecer objetivos. Seria da idade? Dizem que com o avançar dos
anos, vamos ficando mais sábios, mais cautelosos. Não que seja realmente o meu
caso (a tendência para a asneira é um must na minha pessoa) mas o certo é que
não me pus a divagar.
Passou um Verão sem história e um
Outono sem memória digna de registo. Se eu me sentia infeliz? Não, claro que
não! Mas aquela sensação mantinha-se, teimosa e persistente para me moer o juízo.
Sim, porque eu sempre, mas sempre, tenho que ter algo para me atazanar a pinha.
Faz parte do meu Karma!
E andava eu neste deserto à
beira-mar plantado, a viver a minha vida, descansada da silva, entretida com as
minhas dúvidas existenciais e por aí fora, quando
O encontrei!
Surgiu assim por acaso, sem que
nada apontasse para o seu aparecimento. Assim que O vi percebi imediatamente
(lol). Parece impossível, para alguém como eu, mas foi exatamente o que
aconteceu. E percebi o quê? Percebi que estava à minha frente alguém que me
dizia tudo, que tinha um brilho próprio, alguém para quem eu olhava e queria
continuar a olhar
Please... , mas como é que era possível?
Mas era, sim. Ali estava Ele de sorriso
rasgado para mim, seguro, mágico, sedutor, fantástico! Fiquei sem ar! Ah e
todas aquelas parvoíces que dizem que ouvimos quando nos apaixonamos? Pois eu
ouvi-as todas! Passarinhos, sininhos, etc, etc.
E desde esse dia 8 do último
Inverno, completei-me
Verdade, Verdade
Nunca me senti assim. A vida é cor-de-rosa!
Não, a vida é de todas as cores do arco-íris! Sou feliz (muito feliz) e sei
que O faço feliz, também. Há lá coisa melhor? Mais compensadora do que esta?
Pois, agora reconheço que não há. É como se estivesse a viver uma nova e fantástica
vida, dentro da minha vida. Ele é Ele, nem preciso de pensar em mais nada. Nos
braços Dele sinto-me segura e protegida, e gosto tanto. Logo eu, que sempre fui
independente e sacudida.
Podia estar aqui a enumerar mais
um sem número de sentimentos que me assaltam quando penso Nele, quando estou
com Ele, mas não valeria a pena, pois iria chegar sempre à mesma conclusão:
Estou apaixonada, perdidamente apaixonada e não tenho medo!
Assim apenas me resta dizer:
Obrigada Vida por me
surpreenderes!
Obrigada a Ti, meu Amor, não só
por existires mas por me dares o prazer de partilhar a tua existência!
E eis o balanço deste ano que
está a acabar.
Amanhã começa outro. Desta vez,
atrevo-me a fazer projetos, mas não os faço sozinha, faço-os com Aquele que
caminha comigo e que veio dar um novo sentido à minha existência!